Aprendendo a morrer

Você realmente quer ter uma nova vida, uma vida com mais propósito, mais realizações, uma vida que merece ser lembrada, …

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Você realmente quer ter uma nova vida, uma vida com mais propósito, mais realizações, uma vida que merece ser lembrada, uma vida lendária?

Aprendendo a morrer você pode alcançá-las e é sobre isso que vamos falar nesse post.

No post passado, “Quem é você?”, nós desconstruímos juntos a sua identificação com rótulos, com seu corpo e com quem você pensa que é.

Para isso nós descemos 3 níveis de consciência da sua identificação com o EU.

Existem muitos outros níveis, mas esses são suficientes para você entender uma mensagem central:

Você é um fluxo!

Um fluxo de rótulos, um fluxo de átomos, um fluxo de pensamentos.

Você está constantemente mudando quer você queira ou não. É importante que você tenha entendido e aceitado esse conceito.

Se você ainda não entendeu, ainda possui dúvidas ou não leu o artigo “Quem é você?”, retorne ao post anterior. Pois essa é uma continuação prática do conteúdo do episódio passado.

Não esqueça que esses posts são transcrições do podcast Vida Lendária, que está disponível em todas as plataformas. Por isso, não perca tempo!

Bom, preparado para começar a aprender a morrer?

A arte da morte

Em fevereiro de 1971, uma série chamada Longstreet foi transmitida pela TV americana ABC.

serie longstreet - aprendendo a morrer

Nela, Bruce Lee, interpretando o instrutor de artes marciais Li Tsung, fez duas citações que estão diretamente conectadas com nosso episódio.

A primeira citação é:

“Esvazie sua mente, seja sem forma, sem contornos, como a água.

Você coloca água em um copo, ela se torna o copo.

Você coloca água em uma garrafa, ela se torna a garrafa.

Você coloca água em uma chaleira, ela se torna a chaleira.

A água pode fluir, ou ela pode destruir.

Seja água meu amigo.”

O que Bruce Lee falou em ser como a água é exatamente aceitar esse estado líquido que somos.

Nós somos um fluxo e no momento que entendermos isso vamos entender que, como a água, podemos assumir qualquer formato, assumir outros rótulos, não somos presos ao que achamos que somos.

A conversa continua e ele chega em outra citação que ficou famosa:

Como todo mundo, você procura aprender como vencer, mas nunca como perder — como aceitar a derrota. Aprender a morrer é se libertar da morte. Então, quando amanhã chegar, você precisa se livrar da sua mente ambiciosa e aprender a arte da morte.

Quando eu li essas duas falas dele, as duas estavam conectadas exatamente como esse conteúdo que estou passando para vocês.

Primeiro ele falou sobre ser como a água, ser em um estado líquido, ser o fluxo. Depois ele falou sobre aprender a arte da morte.

Exatamente como eu tinha organizado o conteúdo do episódio 2 e do episódio 3. Uma coincidência bem interessante.

Talvez não seja apenas uma coincidência, talvez esse seja o processo natural.

Primeiro aceitar que você é a mudança, que você nunca é você sempre está:

  • Você não é gordo. Você está gordo;
  • Você não é pobre. Você está pobre;
  • Você não é indisciplinado. Você está indisciplinado;
  • Você não é ansioso. Você está ansioso;
  • Você não é uma pessoa triste. Você está triste;

Talvez se simplesmente começarmos a aceitar que não somos, nós estamos, isso seja o suficiente para uma grande mudança.

E o que vem depois?

Vem a morte e não estou falando da morte que você deve estar pensando. Não da morte onde seu coração para de bater.

Estou falando da morte da sua identificação com quem você acredita que é.

Vamos fazer um exercício de memória. Eu quero que você reflita comigo se isso já aconteceu com você:

Você tem amigos que você adorava conversar, mas, depois de um tempo, você foi encontrar eles de novo e parecia que algo tinha mudado.

Você não se conectava mais com eles e por algum motivo o assunto que eles estavam falando não te interessava. Mas antes era tão legal sair com eles, era tão divertido conversar com eles…

Algo estava diferente, no começo talvez você não sabia se era você ou eles, mas algo tinha mudado.

Então aos poucos você percebe que aqueles assuntos eram os que vocês conversavam, mas agora você não vê mais sentido em ficar falando sobre aquilo.

Em ficar falando durante horas sobre a vida das outras pessoas, sobre um time de futebol, sobre coisas do passado.

Isso aconteceu várias vezes comigo.

Perceber que grupos de amigos que eu adorava sair e passar tempo com eles não faziam mais sentido. Os assuntos não me interessavam mais, a forma como eles pensavam me incomodava.

Em algum momento eu me identifiquei com aquilo, logo em algum momento eu fui como eles. O que mudou?

Aquela versão de mim morreu!

É bem provável que você já tenha morrido algumas vezes, só não tem consciência disso.

Existe uma frase que eu gosto muito e não lembro o autor, mas ela é mais ou menos assim:

“As pessoas mais interessantes que conheço são aquelas que mais se reinventaram ao longo da vida.”

E agora você vai entender que o reinventar dessa frase significa: as pessoas que mais morreram ao longo da vida.

Se você pegar uma foto sua antiga de 5 ou 10 anos atrás, você vai notar que algumas coisas mudaram. Seu visual provavelmente mudou.

Eu 8 anos atrás gostava de usar camisetas com estampas grandes das marcas.

Adorava sair com um símbolo da nike ou adidas que quase fazia a volta na camiseta.

Usava calças jeans cheias de bolsos, cinto XXL de tecido caindo sobre a calça, tênis grande de esqueitista e uma munhequeira no braço esquerdo.

Eu me sentia o máximo com essa roupa.

Hoje se eu colocasse essa roupa ninguém me reconheceria a primeira vista.

E não estou dizendo que é uma evolução usar roupa sem estampa, calça jeans com apenas uma cor e sem bolsos e uma bota. Não, longe disso.

Mas esse é um exemplo claro que eu mudei. E as roupas são apenas uma externalização da nossa identidade

Muita coisa mudou além das minhas roupas e muita coisa mudou para você nos últimos 8 anos também.

Se você aprender a morrer de forma consciente e intencional você não vai precisar esperar 5, 10 anos para ser a sua próxima versão.

Você consegue se tornar sua próxima versão em 6 meses, talvez menos.

Qual é sua próxima versão? Uma pessoa…

  • Que vive mais no presente e tem menos ansiedade por conta disso;
  • Mais grata e que praticamente não reclama;
  • Com mais coragem;
  • Com mais iniciativa;
  • Disciplinada;
  • Com propósito;
  • Mais humilde;
  • Saudável;
  • Mais pessoa, mais humana.

Eu não sei qual é sua próxima versão, mas eu sei te dizer como chegar lá.

Aqui começa sua jornada prática rumo a uma vida lendária.

Hoje eu vou te ensinar o COMO. Todos os próximos episódios vão reforçar essa jornada.

Matando a sua versão atual

O caminho vai ser doloroso, matar sua versão atual não vai ser fácil.

Afinal, é de você que estamos falando. É da sua identificação, do seu eu que estamos falando.

Mas eu estou aqui para te ajudar nesse processo. Vamos lá!

Expanda a sua consciência

O primeiro passo é expandir sua consciência.

Escutar podcasts como o que inspirou esse post. É escutar vídeos no YouTube que vão contra suas crenças atuais sem julgamento.

Por exemplo: 

Você é do time do Bolsonaro? Escute os argumentos de um esquerdista inteligente.

Você é do time do Lula? Escute os argumentos de um direitista inteligente.

Sim, existe gente da esquerda inteligente e gente da direita inteligente.

Você vai se surpreender como isso ajuda a expandir seus horizontes.

Isso foi só um exemplo, outro exemplos são:

Se você é cristão assista um vídeo de um ateu inteligente.

Se você é ateu assista um vídeo de um cristão inteligente.

Isso vai ajudar a quebrar um pouco a ideologia que você tem na sua mente.

A ideologia é algo extremamente prejudicial e vou gravar um podcast futuro só sobre ela.

Esse exercício é bem desconfortável, acredite em mim. Falo por experiência própria. Eu faço isso pelo menos umas 3x por mês.

Assisto conteúdo contrário de uma ideologia que eu tenho. Isso ajuda a quebrar ela e a expandir minha consciência.

Por exemplo: 

Atualmente, eu acredito muito em meritocracia e empreendedorismo, então de vez em quando eu assisto vídeos que batem contra isso para eu poder expandir minha consciência e talvez até mudar de opinião

Mas Alan, eu sei que estou certo, porque vou assistir ou escutar alguém que eu sei que está errado?

Que bom que você perguntou, isso nos leva ao próximo passo.

Tenha mentalidade de iniciante

É impossível você aprender o que você acha que já sabe. É como tentar colocar água em um copo cheio.

Isso serve para conhecimento. Se você acha que já sabe tudo, você vai ser um copo cheio, e não vai ser possível colocar mais conhecimento aí.

Aceite que você não sabe tudo, tenha humildade intelectual.

Aqui vou citar duas personalidades com frases que eu adoro:

“Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.” – Sócrates

“Sessenta anos atrás, eu sabia tudo. Hoje sei que nada sei. A educação é a descoberta progressiva da nossa ignorância.” – Will Durant

Hoje eu tenho um filtro que uso para pessoas. Eu me afasto de pessoas que tem certeza e me aproximo de pessoas que tem dúvidas.

Se alguém chega querendo dizer que é assim, por causa disso, disso e disso, eu digo: você está certo! E assim que possível me afasto dessa pessoa.

Eu quero pessoas humildes próximas a mim, que reconheçam que podem estar erradas.

Assim podemos juntar nossas verdades e juntos chegar um pouco mais próximo da verdade genuína.

Outro conselho dentro ainda desse passo de ter uma mentalidade de iniciante é que eu constamente procuro ser a pessoa mais burra da sala.

Se cerque de pessoas mais inteligentes que você. Isso vai doer, porque não é confortável.

É muito frustrante ser o mais burro da sala, mas é extremamente recompensador.

Quando eu estava estudando Inglês eu fiz uma prova e acabei entrando em uma turma que já era fluente. Eu ainda não era. 

Os primeiros dias foram horríveis, eu me sentia extremamente burro.

Foi bem difícil, o professor me perguntou umas 3x se eu não queria trocar para uma turma inferior, mas eu decidi ficar.

Em 2 meses já estava conseguindo acompanhar no mesmo ritmo meus colegas.

Foi uma experiência totalmente desconfortável, mas me ajudou bastante.

Seguindo essa linha de ser o mais burro da sala, se você é mais bem sucedido que a maioria dos seus amigos, você está com os amigos errados.

Estar com eles é como uma âncora e, por mais que você goste deles, você vai ter que aprender a desapegar… e esse é o terceiro passo.

se desapegue das âncoras da sua vida - aprendendo a morrer

Exercite o desapego

Isso também vai ser bem doloroso. Você vai ter que aprender a desapegar de MUITA coisa:

  • Do conhecimento que você tinha;
  • Dos seus amigos;
  • Da sua família;
  • Suas rotinas;
  • Suas crenças;
  • Histórias que você contava para si mesmo.

E por aí vai… Se você quer evoluir, você vai ter que desapegar do que te trouxe até aqui.

Vamos fazer mais um exercício de imaginação:

Você está em uma ilha deserta. Começa acabar os alimentos dessa ilha e perto da ilha que você está tem outra ilha.

Uma ilha muito maior, ela não está tão longe e provavelmente tem muito mais alimento e recursos que essa ilha que você está.

Você junta alguns troncos e após muitas horas e muito suor você constrói uma jangada improvisada. Ela não está muito boa, mas é o suficiente para te levar para a próxima ilha.

Você começa a remar nessa jangada e depois de um tempo você chega na ilha nova.

Agora você tem um ilha gigante para explorar e com certeza muitos recursos novos para poder se alimentar, construir um abrigo.

Dai você olha pra trás e lá está a jangada. A jangada que te levou até essa ilha.

Você colocou muitas horas de esforço nela, ela tem um valor sentimental também afinal ela te ajudou a chegar onde você queria.

Sendo assim, você decide levar ela junto, pode ser que você precise dela de novo.

Você começa arrastar ela na areia, mas ela é muito pesada. Até que chega um momento que você precisa decidir:

  1. Fica na beira da praia com a jangada, comendo o que dá ali, sem explorar todo potencial da ilha; 
  2. Abandona a jangada e vai explorar a ilha.

Assim é com muitas coisas na nossa vida. Com empregos, com profissões, com amigos, com parceiros de negócio, com formas de pensar e até mesmo com familiares.

Chega um momento que você precisa desapegar para poder explorar seu novo potencial.

Apesar do desapego ser muito difícil, é extremamente necessário. Um dos desapegos que é bem contra intuitivo é o desapego das metas.

“O que? Como assim desapego das metas?”

EU sempre achei o mundo bem injusto. Pois normalmente a pessoa que não ligava muito para algo era a mesma pessoa que o ganhava.

Eu via meus amigos conquistarem coisas que eu sempre quis e eles nem davam valor.

Eu não entendia, eu queria tanto, eles conseguiam e nem era grande coisa pra eles.

Quando começou a acontecer comigo, eu entendi o passo quatro.

Se apaixone pelo processo

Bilionários não ficam bilionários por estarem focados em se tornarem bilionários.

Eles estão focados em gerar valor, expandir seus negócios. Se tornar bilionário foi uma consequência.

Sempre que foquei no processo, o resultado veio algumas vezes superior das vezes que foquei na meta.

Na verdade, pensando bem, sempre que eu foco na meta parece que eu alcanço apenas uma parte dela. Uns 80% ~ 90% SE eu for bem sucedido.

Mas, quando eu foco no processo, às vezes eu supero MUITO a meta.

Se você escutou o episódio 1 você sabe do que eu estou falando.

Eu criei um quadro da visão para conquistar em 5 anos. Acabei superando TUDO que estava naquele quatro em 4 anos e eu tinha até me esquecido dele.

Não só foquei no processo, como eu me apaixonei por ele.

Você deve ter se perguntado já: “Por que gente rica continua trabalhando?”

Eu me perguntava muito isso.

Não faz sentido, essa pessoa já conquistou o dinheiro que ela precisa para a vida toda, mas continua trabalhando.

Podia estar aproveitando a vida. Viajando o tempo todo em férias infinita.

Esse era o meu pensamento.

Aos poucos descobri que essa pessoa só é rica, por que ela é apaixonada por fazer o que ela faz.

É quase um hobbie pra ela. É um video game.

Você deve ter um amigo em forma, que se alimenta direitinho e vai na academia.

Você pode ficar pensando: “Nossa, já tá com um corpo massa.
Pra que continuar se matando na academia e se alimentando assim?”

Mas essa pessoa só chegou lá porque ela aprendeu a gostar disso, ela se apaixonou pelo processo é por isso que ela continua sarada e se alimentando bem.

O mesmo se aplica a todo resto.

Quer resultado? Descobra o que gera esse resultado.

Agora esquece o resultado e foca no processo, o que está no seu controle. Use o resultado apenas para calibrar o seu processo.

Digamos que você quer acertar a bola de basquete. O processo é arremessar a bola. O resultado é ela cair dentro da cesta.

Se a bola ir sem força, você precisa colocar mais força. Se ela passar do aro quer dizer que precisa colocar menos força. 

Isso é óbvio né? Mas as pessoas ficam focando no resultado.

O segredo está no processo, o resultado é apenas uma forma de medir e ajustar o seu processo.

E então, está pronto para matar a sua versão atual?

Se gostou do conteúdo não perca o próximo post dessa série: Uma Vida Lendária.

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