Quem É O Seu Maior Inimigo? | Vida Lendária

Existe a chance do seu maior inimigo ser você mesmo? Talvez muitas pessoas já te enganaram e você fica repetindo …

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Existe a chance do seu maior inimigo ser você mesmo?

Talvez muitas pessoas já te enganaram e você fica repetindo que as pessoas não são confiáveis.

E isso te faz sempre estar desconfiado, sempre com um pé atrás em tudo que envolve outras pessoas.

Então você valoriza a cautela.

E não me entenda mal, é bom ter cautela.

Mas tudo que é em excesso faz mal e uma pessoa que é extremamente cautelosa, nunca toma riscos e é bem provável que nunca sairá da zona de conforto impossibilitando que ela tenha uma vida melhor.

Outro valor que essa pessoa irá desenvolver será a segurança, provavelmente também irá valorizar a privacidade e o anonimato.

Pois quanto menos exposição ela tiver, menos chances de alguém querer ferir ela.

Essa pessoa vai ter o perfil no Instagram bloqueado, isso se tiver Instagram, e vai sempre fugir do palco e dos holofotes.

Tudo isso porque ela conta uma história para ela mesma:

Que as pessoas em grande parte não são confiáveis.

E tudo que vai acontecendo reforça essa ideia. Quanto mais ela vive, mais pensa que seu maior inimigo está fora.

Não porque ela é necessariamente verdade, mas porque nós estamos constantemente tentando favoritar eventos que comprovam que estamos certos.

Seu Maior Inimigo Não Está Fora

Existe uma palavra no dicionário para isso e ela se chama Bias:

“distorção do julgamento de um observador por estar ele intimamente envolvido com o objeto de sua observação.”

Como eu falei no episódio #006 A Sombra da Ideologia do podcast Vida Lendária:

Nós vemos o mundo através de lentes e dependendo da lente que você está usando, você vai enxergá-lo com diferentes cores e formatos que outra pessoa.

Descubra a lente que você está usando simplesmente observando seus pensamentos repetitivos.

Eu tenho adotado um exercício para isso recentemente, que é anotar pelo menos 3x por dia meus pensamentos, sentimentos e emoções naquele momento.

Eu faço isso quando acordo, por volta das 11h da manhã, no final da tarde e às vezes antes de dormir também.

Isso toma apenas alguns minutos, mas consigo ter uma clareza maior dos padrões de pensamentos que venho tendo e quando eu não gosto do que estou percebendo, procuro alguma forma de modificar esse padrão.

Outro exercício é escrever em algum lugar todas as suas crenças.

Pode começar sempre com: Eu acredito… e depois de escrever no que você acredita, coloque o motivo.

Exemplo: Eu acredito que as pessoas são essencialmente boas, porque mesmo no meio do caos eu vejo muitos atos de bondade.

Outro exemplo seria:

Eu acredito que as pessoas são más e egoístas, pois todos estão sempre pensando em si em primeiro lugar e na maioria das vezes ignoram a necessidade dos outros.

Na minha perspectiva nenhuma das afirmações que eu fiz estão erradas.

Mas qual será que vai te fazer bem ficar repetindo?

Será que o seu maior inimigo está no mundo externo ou são suas interpretações?

Mesmo se considerarmos que as duas estão certas, será que reforçar a segunda vai te fazer bem ou até mesmo te proteger?

A Armadilha de Acreditar Fielmente no Passado

Eu tive meu primeiro mentor aos 21 anos de idade, um cara que criou uma empresa multinacional e tinha carros importados, sede da empresa em diferentes países, vários apartamentos e casas de luxo.

Mas ele acabou perdendo tudo, pois ao longo de 20 anos o sócio dele o enganou desviando o dinheiro que deveria ser para pagar impostos para o próprio bolso. 

Quando a receita descobriu o valor com multas e juros era maior do que o caixa da empresa e o patrimônio dele somados.

O sócio sabia que estava fazendo errado e se preparou para isso, ele não.

Ele perdeu praticamente tudo, e demorou 8 anos para confiar em alguém, esse alguém fui eu.

Aprendi muito com ele, as minhas primeiras grandes lições sobre a vida eu aprendi com ele.

Mas teve algo que ele tentou me ensinar várias vezes que eu resisti, que foi:

Nunca confie em ninguém.

Ele repetiu inúmeras vezes isso para mim e no começo eu até aceitei.

Mas ao notar a vida triste que ele levava por não ter amigos e não se aproximar de ninguém eu pensei: será que vale a pena reforçar esse pensamento?

Será que vale a pena recontar essa história? Quem era seu maior inimigo: os outros ou ele mesmo?

As Histórias Que Você Conta Para Você Mesmo

Alguns meses após eu dar aulas de programação pra ele, fui convidado para abrirmos uma empresa juntos.

Uma empresa de entrega online para pizzarias, era 2011, não tinha iFood, Rappi ou nada parecido.

Ele estava trazendo uma tecnologia de catálogo 3D canadense e iríamos fazer os cardápios clicáveis para pagar com Paypal e de alguma forma integrar isso com as pizzarias.

O projeto era interessante, tinha futuro, ele ainda tinha um capital para poder investir e eu tinha conhecimento para fazer o que era necessário.

Mas em algum ele começou a ficar mais distante, retinha informações, começou a limitar o meu acesso aos dados da empresa e por fim disse que era melhor pausarmos o projeto.

Eu não entendi, ele foi muito generoso e me pagou pelo tempo que eu investi no projeto, um valor que acima do que eu esperava receber quando ele falou que me pagaria.

Depois de 2 anos, eu comecei a trabalhar em uma empresa de tecnologia próxima da casa dele.

Eu fiquei por semanas pensando em visitar ele e tentar descobrir o porque não continuamos, isso estava me consumindo fazia muito tempo, pois eu acreditava muito no projeto.

Depois de diversas semanas com um conflito interno se visitava ele ou não, eu resolvi ir lá.

Ele tinha trocado o número de telefone e até mesmo o da casa, não sabia se era para me evitar ou tinha outro motivo.

Mas precisava descobrir…

Fui lá e ele me atendeu, ficamos conversando na frente do portão dele, diferente de outras vezes que sempre me convidava para entrar e preparava um lanche ou algo para comermos juntos.

A propósito fazia tempo que a gente não se via, depois de um tempo conversando de pé, sentamos na calçada e continuamos conversando.

Seu Maior Inimigo é Interno, Não Externo

Depois de nos atualizarmos sobre as novidades de cada um eu resolvi perguntar por que não continuamos com o Pizza Online.

Ele suspirou e desabafou, ele estava com medo que eu roubasse o projeto.

Como ele viu que depois de 2 anos eu não tinha avançado com essa ideia sozinho, notou que era algo da cabeça dele e não a realidade. Seu maior inimigo era interno, não externo.

Ele me pediu desculpas por duvidar de mim, justificou contando novamente a história com o sócio dele e eu o desculpei, é claro.

Mas isso reforçou algo que eu já vinha me contando:

Eu prefiro acreditar nas pessoas e ser enganado de vez em quando, do que viver em um mundo onde eu não posso confiar em ninguém.

E olha, eu já fui enganado diversas vezes, já pedi muitas noites de sono, muito dinheiro e muito tempo investindo em pessoas que me passaram a perna.

De qualquer maneira, eu prefiro continuar acreditando nas pessoas.

Escolhas As Histórias Que Te Beneficiam No Longo Prazo

Mesmo se eu somar todo dinheiro que perdi, todo tempo que eu investi em pessoas que me enganaram, eu ganhei muito mais dinheiro e felicidade por estar aberto a acreditar nas pessoas.

Além disso, o número de pessoas que me fizeram bem é muito maior do que o número de pessoas que me fizeram mal.

Quando eu observo tanto quantitativamente quanto qualitativamente, vale muito mais a pena confiar nas pessoas do que não confiar.

E essa história eu continuo me contando.

Sem dúvida nenhuma, minha vida seria muito diferente se me contasse a mesma história que esse meu mentor se contava.

Eu provavelmente não estaria aqui hoje.

Pois eu só consegui chegar aqui porque tive mentores, parceiros, sócios e colaboradores do meu lado, pessoas que eu acreditei e acreditaram em mim.

As Histórias Que Você Conta Para Si Mesmo

Agora, percebe a importância de observar as histórias que você conta para si mesmo?

Essas histórias geram crenças e valores, ao ponto de se tornarem realmente importantes na sua vida.

À medida que repetimos e reforçamos ao longo do tempo, elas se tornam verdades absolutas para nós.

Porém, elas não são verdades absolutas.

A maioria delas são histórias distorcidas através da sua perspectiva e do tempo que são contadas.

Já percebeu como uma mensagem que passa por um telefone sem fio chega distorcida no final?

Entretanto, não é porque você conta essa história para você mesmo que ela continua fiel.

Cada vez que você reconta ela pra si mesmo, ela é influenciada pelos seus sentimentos e sua perspectiva naquele momento.

Além disso, é normal quando vai contar para alguém às vezes dar uma leve aumentada, ou romantizar a lembrança para ela ficar mais interessante.

Nossa vontade de estarmos sempre certos não ajuda nem um pouco também.

Por isso, é normal modificarmos, nem que seja levemente, para que a história que nós contamos, conte que estamos certos.

É um mecanismo de defesa da nossa mente.

O seu maior inimigo agindo.

O ponto aqui é que você não pode confiar completamente na sua memória, nem nas histórias que você conta para você mesmo.

Porque existe uma boa chance de estar se enganando.

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